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Meritocracia nas organizações

Publicado por Maurício Louzada em Para o Trabalho · 17/6/2011 22:44:00
Por que ele, e não eu? O que ele tem que eu não tenho? Normalmente as pessoas fazem esta pergunta tarde demais. Ao ver um colega promovido a um posto desejado, muitos se sentem incomodados com a escolha. Por outro lado, é bem verdade que há promoções injustificáveis. Já vi gerentes promovendo colaboradores que tinham "afinidade de bar". Sim, faziam hapy-hours todas as sextas-feiras, torciam pelo mesmo time, e compartilhavam do mesmo gosto por petiscos e marcas de carro.

Então, depois de alguns meses de afinidade, chega o tão esperado momento da promoção. Quem ocuparia o cargo de confiança, com um salário melhor e desafios maiores? Tinha alguém ali dentro daquele departamento que trabalhava duro pensando nesta oportunidade. Para preservar sua identidade vou chamá-lo de José. Ele se esforçou para alcançar metas, superar as expectativas de seu superior, pensou em estratégias e planos para fazer o melhor, e assim trouxe bons resultados para a área. O problema é que fazer tudo isso com essa dedicação deixava José cansado, e muitas vezes não era possível participar do tão esperado happy-hour com o chefe. 

No momento da promoção, pesou mais a tal "afinidade de bar" do que a "competência orientada a resultados". Todos no escritório sabiam o motivo da promoção, e quem na verdade a merecia.  Em outras promoções, a história se repetiu, e logo o grupo das "sextas-feiras à noite" ocupava os principais cargos do departamento.

As lideranças reforçam os valores da empresa a partir das suas ações e comportamentos. Ao realizar tais promoções, o gerente mostrou que ali, mais importante do que trabalhar com dedicação e mostrar resultados, era manter um bom relacionamento no happy-hour. Talvez você imagine que a partir daquele dia, os happy-hours eram lotados. Não, não eram. Poucos estavam dispostos a se submeter a conversas desisteressantes em troca de um novo cargo. Mas também poucos se dedicavam às suas funções como antes, porque sabiam que não seriam recompensados por isso. Grandes talentos começaram a procurar novas oportunidades, onde pudessem ser reconhecidos.

Perdendo grandes talentos, o departamento começou a apresentar resultados pífios, e o gerente se viu ameaçado... Tentou reunir sua equipe (desta vez numa mesa de reunião e não de bar) e propôs um plano de ação para recuperação do departamento. Tentaram, mas as pessoas em volta daquela mesa não tinham know-how suficiente para operacionalizar com sucesso a idéia. Pensaram em chamar José, mas ele não estava mais na empresa, assim como tantos outros que agora trabalhavam na concorrência.

Esta história verdadeira nos leva a pensar sobre a importância da meritocracia. Não há problema algum em um gerente ter afinidades pessoais com qualquer colaborador, de qualquer nível hierárquico, desde que tal relação não influencie nas tomadas de decisões estratégicas. 

Muitos líderes justificam promoções inadequadas, dizendo que precisavam de pessoas de confiança ao seu lado. Mas confiança profissional não se adquire nas noites de sexta-feira, e sim nas 40 horas de trabalho semanais, onde o que conta é o esforço, a dedicação, a competência e os resultados. 

Atitudes baseadas na meritocracia, representam muito mais do que uma questão de justiça. São verdadeiros exemplos e retratam os valores cultivados pela empresa. A meritocracia irá estimular os colaboradores a aprimorarem suas competências e maximizar seu desempenho, pois saberão que todo esforço será recompensado. 

O que aconteceu com José? Certa tarde, em um happy-hour encontrou aquele ex-gerente da antiga companhia, de quem recebeu um curriculum. Tirando o fato de não considerar as competências na hora da promoção, o ex-gerente sempre foi um excelente profissional. Não pensou duas vezes, e o contratou para um cargo operacional, onde sabia que ele teria um excelente desempenho... Poderia não ter contratado por vingança, ou tê-lo feito para alimentar seu ego. Não foi o caso; o contratou simplesmente porque ele era um bom profissional... Ele estava praticando meritocracia...

(Permitida a reprodução, desde que citado o autor: Maurício Louzada)



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